Postagens

O cocô do cavalo do bandido e suas repercussões em minha mente, anos depois

Eu andei lembrando por estes dias, que na adolescência, um grupo de amigos, meus amigos e amigas mais íntimos, acharam divertido me enviar um cartão virtual, daqueles animados, que tinha como música tema algo parecido com isso "eu sou o cocô do cavalo do bandido!" Mais tarde, isso deve ter virado um meme, pois não sei o motivo, essa musiquinha ficou gravada em minha mente. E, não raro, ouço alguém usar essa expressão. Na hora que recebi, ou que me mostraram, eu lembro que não estava sozinha, foi uma zoeira em grupo. Eu até demorei para entender, a minha primeira reação foi rir, eu demorei pra entender o que aquilo queria dizer, eu achei que era só mais um vídeo engraçado, como aquele da havaianas de pau. Só fui entender depois, em casa, e me lembro que fiquei triste e me sentindo, literalmente, um cocô. Dias atrás, décadas depois, me peguei refletindo sobre isso. Pode me chamar de melancólica, rancorosa, pois eu sou mesmo. Mas eu ando me questionando o que eles quiseram dizer...

Revelações nada secretas

 Quando eu ouvi um áudio "vazado" da minha sogra falando com desdém sobre mim, "a namorada do xxxx, que eu nem gosto muito", inicialmente eu me senti ultrajada, em seguida, senti-me de alguma forma resignada com a confirmação de um fato que eu já sabia. Ela nunca pareceu conseguir disfarçar muito bem a resistência acerca do fato que seu filho havia encontrado alguém com quem ele queira compartilhar a vida. Mas o fato é que o áudio foi só o começo de algumas semanas de desconforto e, por que não nomear o óbvio? Humilhação. Eis que minha sogra vazou este áudio dois dias antes de chegar em meu lar para passar três semanas, durante as festas de final de ano. Eu assumi a postura de uma pessoa resignada e o mais digna possível, imaginando que ela estava se sentindo mal de ter falado uma coisa dessas. Imaginei que ela estava se sentindo culpada e querendo pedir desculpas. Então eu fiz pouco caso da situação, aliviando o clima geral com falas tranquilas e descontraídas. Qua...

Ciclo invisível

Agora, todas as vezes que eu penso em fazer algo novo, que eu me sinto capaz de aprender uma nova habilidade, que eu tenho a esperança de realizar os meus sonhos, eu me pergunto se isso não é um delírio de grandiosidade. Se eu não estou com afetos deslocados, me sentindo mais capaz do que eu realmente sou. Então eu me diminuo, eu não dou o primeiro passo, eu desisto antes de tentar. Eu não sei mais como agir, quando eu tenho desejo de fazer algo diferente do usual, pois fico me questionando se isso não é fruto de uma alteração de humor. A mesma coisa acontece quando eu estou cansada e sem vontade de fazer as tarefas domésticas. Será que é fruto de humor rebaixado? Ou simplesmente estar cansada do dia-a-dia, na fase lútea do ciclo? É muito interessante essa questão do ciclo menstrual. Todos os meses deste ano, estou prestando muita atenção nisso, e reparei que meu humor e energia realmente oscila com o ciclo menstrual: a energia aumenta por volta do período fértil, eu me sinto mais boni...

Despedida

É chegado o momento de dizer adeus a quem fui e não mais serei. Às coisas, pessoas e atitudes que não fazem mais parte de quem eu me tornei. Às mágoas, experiências e sonhos que não cabem mais em mim. Inclusive aos quilos que acumulei nos últimos 10 anos. Adeus, às pessoas que se diziam meus amigos e amigas, enquanto me enviaram um cartão dizendo que eu era o cocô do cavalo do bandido. Às amizades de conveniência, que não levavam em consideração as minhas necessidades. Aos relacionamentos que sugavam a minha mente, a minha vitalidade. Adeus, às roupas que já não me servem, nem representam. Aos sapatos que machucam. Às comidas que não alimentam e às bebidas que não matam a sede. Adeus, aos sonhos que não eram meus. Aos sonhos que eu não quero mais realizar. À idealização de uma vida perfeita, sem dificuldades. E às ideias de grandeza e liberdade, que na verdade me prendiam mais do que um vínculo estável de emprego. Adeus, à crença inexorável nas minhas limitações. Ao medo de não dar cer...

Funeral de uma amizade

Não houve adeus, nem sequer uma palavra. Ficou subentendido no silêncio que pairou entre nós, depois daquela última tarde que compartilhamos o mesmo espaço. Não entendi muito bem, no começo, mas com o tempo as coisas foram ficando cada vez mais claras. O que você queria, status, imagem, disponibilidade, eu não podia te dar. E o que eu precisava, empatia, acolhimento, escuta, você não podia me dar. Tudo tem de ser perfeito, para você. Mania de controle, de tudo! De como vai servir o jantar, qual bebida, que tipo de roupa e acessórios são os corretos, qual é o lugar certo, tudo pensando em como vai sair na foto. Não é à toa que as suas outras amigas são parecidas com você, se vestem como você... As que ainda não são, logo estarão usando as mesmas roupas, os mesmos acessórios, indo aos mesmos lugares... que você decidiu! Na internet, o seu mundo é perfeito, esteticamente delineado para passar a imagem de uma pessoa muito bem resolvida, charmosa e interessante. E eu vou te dizer que sim, v...

Família desestruturada

Era uma vez uma família, no início, era formada por mamãe, papai e dois filhinhos, todos muito orgulhosos. Eles moravam na bela capital paranaense, em uma grande casa. A casa possuía um jardim enorme, com árvores frutíferas. No pátio, havia uma piscina e uma área de churrasco exemplar. A mamãe era uma excelente dona de casa, cuidava das crianças e do marido com esmero. O papai era gerente de uma grande rede de supermercados, tinha um salário excelente e um bom relacionamento com seus filhinhos. Ele acreditava que sua esposa não deveria trabalhar fora nem estudar, só ficar em casa com as crianças. Um dia, o papai perdeu o emprego. Diz-se que foi porque ele não aceitou participar de uma falcatrua, tipo receber uma propina, mas mais tarde a gente passa a duvidar do motivo. Papai só sabia fazer aquilo. Vinha de uma cidade do interior paulista, onde sua família era muito influente, filho de prefeito, sabe? Então, papai, já com mais de 40 anos, sem ensino médio, vai procurar emprego nos outr...

Psicoterapia

 Eu começo a entender as pessoas que falam mal da Psicologia, que contam histórias de péssimos atendimentos que tiveram com psicólogas e psicólogos mal preparados, mal resolvidos, ou apenas, de má índole. As experiências que tive nas duas últimas vezes que me propus a ser atendida por uma psicóloga, foram um desastre. A primeira me deixou traumatizada pra vida, hoje ando olhando e examinando cada passo, cada atitude, cada sentimento, em busca de refutar os diagnósticos que ela achou por bem me rotular. Já a outra, parece que não deu conta de atender uma cliente que sabia o que era um processo terapêutico na abordagem que ela se propunha a atender, e fez um encerramento de processo terapêutico tão feio, que eu fiquei até sem jeito por ela. Ambas reforçaram minhas crenças em inadequação. Pois uma, apressou-se em rotular as emoções que eu apresentava naquele momento como um defeito inerente meu, só meu, sem interferência do ambiente. Ela queria me consertar e adaptar ao ambiente doent...