Despedida
É chegado o momento de dizer adeus a quem fui e não mais serei. Às coisas, pessoas e atitudes que não fazem mais parte de quem eu me tornei. Às mágoas, experiências e sonhos que não cabem mais em mim. Inclusive aos quilos que acumulei nos últimos 10 anos.
Adeus, às pessoas que se diziam meus amigos e amigas, enquanto me enviaram um cartão dizendo que eu era o cocô do cavalo do bandido. Às amizades de conveniência, que não levavam em consideração as minhas necessidades. Aos relacionamentos que sugavam a minha mente, a minha vitalidade.
Adeus, às roupas que já não me servem, nem representam. Aos sapatos que machucam. Às comidas que não alimentam e às bebidas que não matam a sede.
Adeus, aos sonhos que não eram meus. Aos sonhos que eu não quero mais realizar. À idealização de uma vida perfeita, sem dificuldades. E às ideias de grandeza e liberdade, que na verdade me prendiam mais do que um vínculo estável de emprego.
Adeus, à crença inexorável nas minhas limitações. Ao medo de não dar certo, ao medo de errar. Às inseguranças de quem quer conhecer todo o caminho antes de percorrer a jornada.
Adeus ao medo de dar certo.
Adeus, às certezas que tinha sobre mim, sobre meus ideais, sobre meus valores. É chegada a hora de dizer adeus à mascara de boazinha e colocar a culpa em quem realmente é culpado, e parar de carregar esse peso, parar de me sentir culpada e de me punir o tempo todo.
Adeus.