Psicoterapia
Eu começo a entender as pessoas que falam mal da Psicologia, que contam histórias de péssimos atendimentos que tiveram com psicólogas e psicólogos mal preparados, mal resolvidos, ou apenas, de má índole.
As experiências que tive nas duas últimas vezes que me propus a ser atendida por uma psicóloga, foram um desastre. A primeira me deixou traumatizada pra vida, hoje ando olhando e examinando cada passo, cada atitude, cada sentimento, em busca de refutar os diagnósticos que ela achou por bem me rotular. Já a outra, parece que não deu conta de atender uma cliente que sabia o que era um processo terapêutico na abordagem que ela se propunha a atender, e fez um encerramento de processo terapêutico tão feio, que eu fiquei até sem jeito por ela.
Ambas reforçaram minhas crenças em inadequação. Pois uma, apressou-se em rotular as emoções que eu apresentava naquele momento como um defeito inerente meu, só meu, sem interferência do ambiente. Ela queria me consertar e adaptar ao ambiente doentio em que eu estava inserida. Já a outra, nem quis me ajudar a lidar com as dificuldades que eu estava apresentando naquele momento, e, novamente, apontou como sendo minhas, unicamente minhas, as dificuldades, os defeitos, a falta de autoconfiança. Nenhuma perguntou o que eu queria ou precisava, elas decidiram por si só.
O que eu aprendi com essas experiências? Que eu não devo me abrir de verdade, nem demonstrar vulnerabilidade, pois sempre que eu fizer isso, eu vou ser mal vista, rotulada ou simplesmente rejeitada. Eu aprendi que as pessoas realmente esperam que eu seja perfeita, que eu apresente nada menos do que o que elas esperam de mim. Eu tenho a plena consciência de que pensar dessa forma é estar distorcendo a realidade, é considerada uma cognição distorcida, ao menos é nisso que eu estou me apegando, para conseguir negar esse tipo de pensamento automático. Mas, sinceramente? As situações que vivi se apresentam para mim como evidências do contrário.
Eu vou continuar acreditando na Psicologia, na abordagem e na psicoterapia bem realizada. Eu preciso continuar acreditando, pois isso também faz parte do que dá sentido a minha vida. Faz parte das coisas que eu amo e quero fazer mais: estar agente na psicoterapia recebida e na oferecida. É uma parte da minha profissão que eu amo, que me realiza enquanto pessoa e profissional, é uma parte da minha identidade.
Eu sinto muito que isso tenha acontecido comigo.