Colegas

Há muitos anos que eu trabalho com pessoas que podem ser descritas como, no mínimo, peculiares.

Aquela que cantava aleatoriamente, ou achava que vivia em um musical da Disney.

Aquela que comprava compulsivamente, ou achava que estava num shopping, desfilando suas roupas novas, que ela mandava entregar na casa da amiga, pois o marido se preocupava.

Aquela que mentia automaticamente, ou achava que vivia numa novela, criando intrigas entre todas.

Aquela que gemia forçosamente, ou achava que era a vítima do mundo.

Aquela que manipulava constantemente, ou achava que estava vivendo uma guerra dos tronos, sempre tentando chegar ao poder.

Aquela que trazia presentes, ou achava que era a rainha do baile de formatura, ou era mesmo: todos ouviam, todas queriam ser suas amigas e todos a idolatravam.

A outra que se achava a doutora. Ah, desse tipo tinha mais de uma.

Aquela que era um cavalo de carga, ou achava que o trabalho definia o seu valor na vida.

Aquela que era uma salvadora dos fracos e oprimidos, ou achava que vivia num mundo em chamas.

Aquela que não queria trabalhar, ou achava que estava no fliperama, pois passava o dia jogando no celular.

Mas o que são, além de seres humanos em relação, pessoas?

O cliché é real: de perto, ninguém é normal.

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