Ciclo invisível

Agora, todas as vezes que eu penso em fazer algo novo, que eu me sinto capaz de aprender uma nova habilidade, que eu tenho a esperança de realizar os meus sonhos, eu me pergunto se isso não é um delírio de grandiosidade. Se eu não estou com afetos deslocados, me sentindo mais capaz do que eu realmente sou. Então eu me diminuo, eu não dou o primeiro passo, eu desisto antes de tentar. Eu não sei mais como agir, quando eu tenho desejo de fazer algo diferente do usual, pois fico me questionando se isso não é fruto de uma alteração de humor.

A mesma coisa acontece quando eu estou cansada e sem vontade de fazer as tarefas domésticas. Será que é fruto de humor rebaixado? Ou simplesmente estar cansada do dia-a-dia, na fase lútea do ciclo? É muito interessante essa questão do ciclo menstrual. Todos os meses deste ano, estou prestando muita atenção nisso, e reparei que meu humor e energia realmente oscila com o ciclo menstrual: a energia aumenta por volta do período fértil, eu me sinto mais bonita, mais adequada, mais capaz; poucos dias após esse período, eu começo a me sentir menos segura com minha imagem, mais insegura no geral, com menos energia e mais irritável. A sensação que vem com a fase lútea, permanece nos primeiros dias do ciclo, mudando para mais energia gradualmente, conforme se aproxima do período fértil.

Há alguns meses, eu resolvi olhar pra mim. Foi pouco antes de começar a escrever as minhas cartas da viração. Eu senti que eu precisava olhar pra mim com mais compaixão, com mais amor, com mais calma. Me olhar de verdade. Pensar em mim e no que eu quero para o meu futuro, para a minha vida.

Uma decisão que eu tomei era que eu escreveria estas cartas para soltar o peso que apertava a minha garganta e me prendia com tanta força no chão. Soltar o peso, literalmente. Decidi que voltaria a me consultar e a tentar acreditar na medicina, agora com menos ingenuidade.

Sem saber, dei o primeiro passo mais acertado possível: comecei pesquisando se meu fígado estava bem. Mal sabia que, o fígado estava ótimo, mas outras partes do meu corpo estavam sofrendo com o meu excesso de peso. Sofri semanas imaginando que tipo de doença autoimune que me limitaria para o resto da vida, o aumento na tireóide me reservava. Dos males o menor, e o mais absurdo: bócio.

Desde lá, um luto atrás do outro. Uma descoberta de um novo desequilíbrio atrás da outra. Ainda estou buscando tratamentos, para as diversas situações que me apareceram. Sabe aquele medo irracional de que toda a raiva que eu senti enquanto trabalhava naquele inferno virasse um câncer? Então... nódulos, biópsia, medo, deformação do meu corpo.

Eu passei a tomar remédio para emagrecer. Eu me sinto bem com o remédio e o emagrecimento tem sido lento e constante. Eu faço acompanhamento físico com um personal trainer e pilates, são quatro dias de exercícios físicos por semana. A minha vida está melhor, sinto-me mais bem disposta e mais tranquila.

Caminhando lentamente eu vou percorrendo a minha jornada.

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