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Mostrando postagens de julho, 2025

Despedida

É chegado o momento de dizer adeus a quem fui e não mais serei. Às coisas, pessoas e atitudes que não fazem mais parte de quem eu me tornei. Às mágoas, experiências e sonhos que não cabem mais em mim. Inclusive aos quilos que acumulei nos últimos 10 anos. Adeus, às pessoas que se diziam meus amigos e amigas, enquanto me enviaram um cartão dizendo que eu era o cocô do cavalo do bandido. Às amizades de conveniência, que não levavam em consideração as minhas necessidades. Aos relacionamentos que sugavam a minha mente, a minha vitalidade. Adeus, às roupas que já não me servem, nem representam. Aos sapatos que machucam. Às comidas que não alimentam e às bebidas que não matam a sede. Adeus, aos sonhos que não eram meus. Aos sonhos que eu não quero mais realizar. À idealização de uma vida perfeita, sem dificuldades. E às ideias de grandeza e liberdade, que na verdade me prendiam mais do que um vínculo estável de emprego. Adeus, à crença inexorável nas minhas limitações. Ao medo de não dar cer...

Funeral de uma amizade

Não houve adeus, nem sequer uma palavra. Ficou subentendido no silêncio que pairou entre nós, depois daquela última tarde que compartilhamos o mesmo espaço. Não entendi muito bem, no começo, mas com o tempo as coisas foram ficando cada vez mais claras. O que você queria, status, imagem, disponibilidade, eu não podia te dar. E o que eu precisava, empatia, acolhimento, escuta, você não podia me dar. Tudo tem de ser perfeito, para você. Mania de controle, de tudo! De como vai servir o jantar, qual bebida, que tipo de roupa e acessórios são os corretos, qual é o lugar certo, tudo pensando em como vai sair na foto. Não é à toa que as suas outras amigas são parecidas com você, se vestem como você... As que ainda não são, logo estarão usando as mesmas roupas, os mesmos acessórios, indo aos mesmos lugares... que você decidiu! Na internet, o seu mundo é perfeito, esteticamente delineado para passar a imagem de uma pessoa muito bem resolvida, charmosa e interessante. E eu vou te dizer que sim, v...

Família desestruturada

Era uma vez uma família, no início, era formada por mamãe, papai e dois filhinhos, todos muito orgulhosos. Eles moravam na bela capital paranaense, em uma grande casa. A casa possuía um jardim enorme, com árvores frutíferas. No pátio, havia uma piscina e uma área de churrasco exemplar. A mamãe era uma excelente dona de casa, cuidava das crianças e do marido com esmero. O papai era gerente de uma grande rede de supermercados, tinha um salário excelente e um bom relacionamento com seus filhinhos. Ele acreditava que sua esposa não deveria trabalhar fora nem estudar, só ficar em casa com as crianças. Um dia, o papai perdeu o emprego. Diz-se que foi porque ele não aceitou participar de uma falcatrua, tipo receber uma propina, mas mais tarde a gente passa a duvidar do motivo. Papai só sabia fazer aquilo. Vinha de uma cidade do interior paulista, onde sua família era muito influente, filho de prefeito, sabe? Então, papai, já com mais de 40 anos, sem ensino médio, vai procurar emprego nos outr...

Psicoterapia

 Eu começo a entender as pessoas que falam mal da Psicologia, que contam histórias de péssimos atendimentos que tiveram com psicólogas e psicólogos mal preparados, mal resolvidos, ou apenas, de má índole. As experiências que tive nas duas últimas vezes que me propus a ser atendida por uma psicóloga, foram um desastre. A primeira me deixou traumatizada pra vida, hoje ando olhando e examinando cada passo, cada atitude, cada sentimento, em busca de refutar os diagnósticos que ela achou por bem me rotular. Já a outra, parece que não deu conta de atender uma cliente que sabia o que era um processo terapêutico na abordagem que ela se propunha a atender, e fez um encerramento de processo terapêutico tão feio, que eu fiquei até sem jeito por ela. Ambas reforçaram minhas crenças em inadequação. Pois uma, apressou-se em rotular as emoções que eu apresentava naquele momento como um defeito inerente meu, só meu, sem interferência do ambiente. Ela queria me consertar e adaptar ao ambiente doent...

Resmungando,

 o dia todo. Falando sozinha, o tempo inteiro. E quem trabalha ao redor que se lasque! Quando tenta falar comigo, simplesmente solta uma frase no ar e se incomoda que eu estou de fone de ouvido o tempo todo. Cara colega, eu uso o fone de ouvido o tempo todo para não enlouquecer diante dos seus resmungos constantes. Que tal você ser uma colega melhor e parar de resmungar para si mesma como se não houvesse mais quatro pessoas trabalhando na mesma sala? Que tal você não achar que todos têm de estar prestando atenção aos seus resmungos o tempo todo, quando você simplesmente fala com alguém sem anunciar o interlocutor e se ofende se não for ouvida? Por favor, não espere que eu acompanhe a sua linha de raciocínio e a minha, enquanto executamos tarefas totalmente distintas e eu tenho de lidar com os seus resmungos me distraindo, além de ter de pensar na resolução das minhas demandas de trabalho, para responder você a qualquer momento. Um pouco de silêncio seria bom...

Colegas

Há muitos anos que eu trabalho com pessoas que podem ser descritas como, no mínimo, peculiares. Aquela que cantava aleatoriamente, ou achava que vivia em um musical da Disney. Aquela que comprava compulsivamente, ou achava que estava num shopping, desfilando suas roupas novas, que ela mandava entregar na casa da amiga, pois o marido se preocupava. Aquela que mentia automaticamente, ou achava que vivia numa novela, criando intrigas entre todas. Aquela que gemia forçosamente, ou achava que era a vítima do mundo. Aquela que manipulava constantemente, ou achava que estava vivendo uma guerra dos tronos, sempre tentando chegar ao poder. Aquela que trazia presentes, ou achava que era a rainha do baile de formatura, ou era mesmo: todos ouviam, todas queriam ser suas amigas e todos a idolatravam. A outra que se achava a doutora. Ah, desse tipo tinha mais de uma. Aquela que era um cavalo de carga, ou achava que o trabalho definia o seu valor na vida. Aquela que era uma salvadora dos fracos e opr...